O mês do cachorro louco ficou pra trás e podemos dizer que foi o pior mês para a nossa moeda desde setembro de 2015: a valorização do dólar foi de 8,5%, e o real só não se desvalorizou mais do que o peso argentino.

Agosto foi um mês de grande volatilidade, e tivemos como destaques: (1) as tensas relações comerciais entre Estados Unidos e China, (2) a crise argentina, (3) as novas intervenções do Banco Central no nosso mercado de câmbio com vendas de dólares no mercado à vista e, (4) as queimadas na Amazônia.

Vejam como foi o comportamento dos ativos no mês de agosto:

O campeoníssimo do mês foi o ouro: ele é um porto seguro quando há fuga do risco.

Sexta-feira a moeda fechou na faixa dos R$ 4,14, em um ambiente um pouco mais leve (queda no dia foi de 0,7%, mas na semana a oscilação foi de +0,4%), influenciado pelo alívio nas tensões EUA x China e pelo PIB maior do que o esperado por aqui.

Neste final de semana, a Argentina anunciou mudanças nos prazos para que os exportadores liquidem seus dólares, bem como anunciou medidas para coibir a compra da moeda norte-americana. É o governo intervindo no mercado de maneira mais agressiva. Sabe-se que lá, por exemplo, qualquer cidadão pode ter conta em moeda estrangeira. Também no final de semana veio a notícia de quem Donald Trump anunciou a retomada nas negociações bilaterais com a China para este mês.

Hoje é feriado em NY (Labor Day) e deverá ser um dia de baixa movimentação. A agenda da semana nos trará nos EUA o ADP (sai na quinta, e é uma prévia do Payroll. Indica a variação de empregos privados), o Payroll e o PMI na sexta. Na quarta-feira tem o livro Bege (Fed) e também tem discurso de Jerome Powell (Presidente do Fed). Por aqui, teremos o IPCA de agosto (sexta-feira), e dados de produção industrial (terça-feira). O Bacen anunciou que fará venda de dólares à vista concomitante à venda de contratos de swap cambial e venda de swap cambial tradicional (caso necessário). Estas operações serão para a rolagem dos contratos de swap que vencem em novembro.

Enfim, teremos uma semana carregada.

E anotem aí: mais um banco revendo pra cima sua taxa para o final do ano. O Morgan Stanley prevê R$ 4,15. O Santander vai ainda mais longe: R$ 4,21 para o final de 2019, R$ 4,30 (2020) e R$ 4,37 para 2021. O Boletim Focus desta semana também elevou o dólar, agora para R$ 3,80.

As bolsas europeias operam pra cima e as asiáticas fecharam sem sinal definido. Já no mercado de moedas EM, o dólar ganha força frente à maioria delas, à exceção da lira turca e do rublo (este opera estável).

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