De olho no mercado

Assim que rompeu os R$ 4,19 e alçava voos maiores, o Bacen fez ontem algo que não fazia há dez anos: realizou de última hora um leilão de dólares no mercado à vista. Ao contrário dos leilões que estão sendo realizados desde o dia 21 (leilões de rolagem dos vencimentos de outubro, sem efeito nas reservas), este mexeu nas reservas (não tinha contraparte) e o lote colocado no mercado não foi anunciado (na oferta só dizia lotes mínimos de USD 1 milhão).

O efeito foi imediato: o dólar caiu para R$ 4,12 mas fechou em R$ 4,1580, alta de 0,5% em relação ao dia anterior.

Essa valorização do dólar por aqui está em linha com o exterior. Vejam abaixo a performance das moedas EM frente ao dólar (tabela abaixo). No mês o dólar já ganha quase 10% frente ao nosso real:

O que está se vendo no mercado de dólar é o que se chama de “tendência negativa”. Há carência de dólares no mercado spot (vocês viram os dados do saldo da nossa balança comercial? O saldo das transações correntes de Julho ficou negativo em USD 9,035 bilhões e no mesmo período no ano passado havia sido de –USD 4,936 bilhões. Dobramos!!). Esta tendência leva todo  mundo a comprar (antecipando-se até aos vencimentos de final de ano). As razões para isso já foram apontadas aqui (fatores locais – políticos, fuga de ativos de risco, guerra comercial, medo de calote dos países emergentes…).

E hoje teremos outra novidade (nem tanto assim): o Bacen anunciou que fará um novo leilão para rolagem de USD 1,5 bilhão em operação de linha (venda com compromisso de recompra).

Lá fora o mercado opera de lado, ainda preocupado com as condições da economia global. O mesmo pode ser dito para a Ásia, onde os mercados fecharam sem direção definida.

Na agenda, deveremos ficar de olho em alguns discursos de membros do Fed.

O mercado ficará de olho no câmbio e deverá cobrar novas intervenções do Bacen.

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